12ºANIVERSÁRIO DO LEVANTAMENTO DO CERCO DE SARAJEVO

Este texto foi originalmente publicado no meu flickr. Publico-o hoje no Café Turco como homenagem à cidade de Sarajevo, que comemora hoje 12 anos sobre o levantamento do cerco.


No conto «Uma moeda», passado durante o cerco de Sarajevo, e que consiste numa troca de correspondência ficcionada entre o narrador, exilado nos EUA, e uma amiga vivendo na cidade cercada, o escritor Aleksandar Hemon escreveu:

«Sarajevo é uma cidade sem gatos. É-o porque as pessoas deixaram de poder alimentá-los ou levá-los consigo quando fugiam, ou porque os seus donos foram mortos. Daí que os cães, que os donos não podiam alimentar nem levar consigo, lhes dessem caça e os devorassem

O cerco de Sarajevo foi o mais longo da História moderna. Entre o dia 5 de Abril de 1992 e 29 de Fevereiro de 1996, mais de 10 mil pessoas foram mortas pelas forças sérvias que cercavam a cidade.
Nas guerras, não são apenas os humanos as vítimas. Os animais, a natureza, o património são também vítimas. Ora, a vida de uma comunidade humana não se faz apenas com os humanos. Os bichos, as árvores, as casas, a paisagem, todo o ambiente que nos cerca contribui para o sentimento de pertença que dá consistência a uma comunidade.

Com o cerco, os gatos desapareceram de Sarajevo. Mas, hoje, doze anos depois, os gatos abundam na cidade, que tem por eles um carinho especial, notório no facto de que os gatos de Sarajevo não têm medo das pessoas.

O regresso dos gatos a Sarajevo é a prova de que, embora nada nunca mais volte a ser como era, a vida insistiu em regressar a Sarajevo.

O conto «Uma moeda» está publicado em Portugal no livro A questão de Bruno, da Asa, e pode ser adquirido pela módica quantia de 3.5 EUR.
Fotos da autora. Gatos de Sarajevo, fotografados em Outubro de 2007.

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