O café como símbolo cultural.

A maneira como preparamos e bebemos o café diz muito sobre quem somos.

Uma das maiores surpresas que tive nas minhas viagens pelos Balcãs foi a facilidade com que me viciei em café turco. Não é muito habitual os estrangeiros gostarem, o que se deve sobretudo à sua falta de paciência. O café turco, ao contrário da nossa bica, é para beber devagar, porque, primeiro, é preciso deixar assentar as borras. Para quem não sabe esperar, a experiência pode ser traumática (dizem, não sei, não me aconteceu, eu sou uma pessoa paciente, ainda assim posso imaginar…).

Na Sérvia actual, muita gente tende a encarar o café turco como um hábito rudimentar, um resquício do passado que convém esquecer. Actualmente, o supra-sumo do requinte é beber café instantâneo. Quando as pessoas recebem visitas, é de bom tom oferecer café instantâneo.

Mas o supra-sumo da sofisticação é beber café expresso, que nunca custa, nos cafés de Belgrado, menos de um euro.
E o supra-sumo do nacionalismo é continuar a beber café turco, mas chamar-lhe café sérvio.

Mas, chamem-lhe o que quiserem, e bebam-no da forma como mais gostarem. O que é inegável é que o café é um dos indicadores mais óbvios da importância da cultura otomana para a identidade cultural dos povos dos Balcãs.

Fotos: Café turco em Sarajevo (em cima) e em Belgrado (devidamente acompanhado de um bolo delicioso). Fotos da autora.

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