Category Archives: Spain

BETTER LATE THAN NEVER: Bringing the perpretrators of ideologically-motivated mass crimes to Justice

Radovan Karadzic made his appearence today at the ICTY where he listened to his indictment. This happened one day after two generals, Antonio Bussi, 82, and Luciano Benjamin Menendez, 81, former members of the military junta that between 1976 and 1983 terrorized Argentina, were sentenced to life imprisonment by an Argentinian tribunal

For many years, the families and friends of those whom they sent to death demanded justice. Too many people preferred to simply forget about it, but they kept demanding justice. The courage and dignity of the mothers of Plaza de Mayo always impressed me, and when I heard about the women from Srebrenica their example immediately came to my mind.

For 30 years they kept asking for justice, fighting oblivion, not allowing anyone to forget what the expression ‘Dirty War’ meant… and these were mostly simple uneducated women, whose strength came from their sense of justice and from the fact that, having already lost what most precious they had, intimidation and fear could not silence them.

…dirty war, ethnic cleansing, somebody invented these expressions, as I was writing them I noticed how they mirror each other. What do they have in common? Their fascist essence.

Last time I was in Serbia, a person with whom I had a very interesting conversation about the question of facing the past told me about a current that I didn’t know about, who is advancing the idea that the best choice is not to face the past at all. These people, who don’t consider themselves nationalists. Those who consider themselves nationalists don’t really deny the past, because in fact they are proud of it, they are just sorry that they didn’t go far enough.

This is an argument that is being discussed among so-called moderates, who are using the Spanish case as an example. It goes like this: look, Spain didn’t face the past, and that didn’t prevent the country from becoming a democracy and a wealthy and powerful country. I will not go into this question in detail now, I’ll just remind the readers that this an argument that reveals either ignorance or the wish to falsify the truth. Spain didn’t face the past because those who didn’t want such process to happened managed to prevent it for 30 years, but now the issue is finally being tacked. Here, here and here for more…(in castellan and galego, sorry for the non speakers, the english version in wikipedia is not updated, but here’s an article from the Guardian) (I will return to this subject latter).

Those who benefit from this kind of approach, not only in former Yugoslavia or Spain or Latin American, believe that time will work in their favour.  It does, but only if the voices of the victims is silenced or ignored.

The case of the Argentine generals proves that it doesn’t have to be like that. I believe there are valuable lessons to be drawn from this. Justice will never be entirely accomplished, but at least it will be harder to falsify the past.

(photos from BBC, what’s in common between these three men, besides the fact that they are monsters? they don’t scare anyone anymore)

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LEONARD COHEN IN LISBON: thank you for such a wounderful concert!

Yesterday was one of those days that make me thank my parents for not having stopped at their ninth child.

20 years ago, Leonard Cohen gave a concert in Cascais. I didn’t go, but my brother did. After that, he couldn’t stop himself from listening to Leonard Cohen. I listened too. I had no choice. I am not deaf, and unlike our eyes that we can shut, there is no way not to ear, when your older brother (actually my 6th older brother) is the one who owns the tape recorder. Being the 10th of 12 children has its advantages. Of course I am not expecting those who have small families to understand that. It doesn’t matter, thanks to my brothers and sisters and my mother and father, I grew up listening to lots of music that my own generation didn’t have the chance to appreciate.

Yesterday I had the chance to listen to Leonard Cohen live in Lisbon. It was a wonderful evening. The night fell smoothly as Leonard Cohen and his band gifted the audience with almost 3 hours of the best of his best music. I hope that one day, when I get old and my brain starts deteriorating, and that I loose my memory and my reason, my heart may still remember the joy I felt for being there and how light I was feeling afterwords.

I am posting a You tube with one of the musics from last night. This you tube video was recorded in May 2008, in one of the concerts of his current tour. I admire Leonard Cohen above all as a poet. For me he is above all a poet, a poet that also composes and sings. Leonard Cohen is one of the reasons why I love the English language. His lyrics inspire me, and those readers that happen to know me personally know that I frequently quote him.

However, I chose a song whose lyrics are not his. Take this Waltz is a tribute to Federico Garcia Lorca, a poet that left too many poems unwritten. He was assassinated by spanish fascists for the simple reason that they didn’t like him. He was too independent, too non-conformist and too cosmopolitan. They just couldn’t stand him so they took him, he lost his life and we lost the chance to admire his poems yet to be written. Thanks to Leonard Cohen many people who would otherwise never come across into Lorca’s poetry had the chance to get to know him. A beautiful way to honour his memory.

Federico Garcia Lorca’s body was never recovered. An olive tree was planted in the place where he was shot.

Update: Here you can find some you tubes from the Lisbon Concert (and a link to my own blog).

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ELEIÇÕES EM ESPANHA: impacto da independência do kosovo

Os resultados eleitorais em Espanha desmentem em toda a linha a pseudo-teoria do efeito dominó.

Entre os profetas da desgraça, foram muitos os que previam uma terrível ameaça à integridade territorial do estado epanhol, pelo facto de o Kosovo ter tido a ousadia de se tornar independente, e mais ainda por ma série de estados terem procedido o tencionarem proceder ao respectivo reconhecimento.

Tais mentes delirantes terão eventualmente imaginado hordas de nacionalistas bascos, catalães ou até galegos a reagir de forma pavloviana à campaínha da independência…

Ora, o que nos dizem os resultados das eleições legislativas de ontem? Deixemos de lado os resultados nacionais, menos relevantes para a questão em apreço, e olhemos então para os resultados parciais nas regiões mais conotadas com aspirações nacionalistas:

1- País Basco:

Participação eleitoral em 2008:64.9%
em 2004:75.9%

Venceu o PSOE, com 425.567 votos, correspondendo a 38,09 %.
Em 2004, teve 336.958 votos, correspondendo a 27.23%.
Ou seja, aumentou tanto em termos percentuais como em número de votantes.

O segundo partido mais votado é o partido nacionalista EAJ-PNV, com 303.246 votos (27,14%). Este partido perdeu tanto em número de votantes como percentualmente. Em 2004 tinha tido 417.154 votos (33,71 %). Destaque-se que, apesar de se tratar de um partido assumidamente nacionalista, rejeita o uso da violência condena a actuação da ETA.

Se somarmos os resultados do PSOE com os do PP (18.5%), chegaremos à conclusão de que 56.59% dos votantes optaram por partidos que não defendem o nacionalismo basco.

2-Catalunha:

Participação eleitoral em 2008: 71.19%
em 2004: 76.96%

Venceu o PSOE, com 1672777 votos, correspondendo a 45.33 %.
Em 2004, teve 1577330 votos, correspondendo a 39.5%.
Ou seja, aumentou tanto em termos percentuais como em número de votantes.

O segundo partido mais votado é o partido nacionalista CIU, com 774.317 votos (2o.98%). Este partido perdeu em número de votantes embora tenha subido ligeiramente em termos percentuais. Em 2004 tinha tido 829.042 votos (20.76%)

Se somarmos os resultados do PSOE com os do PP (16.39%), chegaremos à conclusão de que 61.72% dos votantes optaram por partidos que não defendem o nacionalismo catalão.

A Espanha é um estado com um grande nível de descentralização, que oferece às diversas regiões que o compõem uma substancial autonomia em termos políticos, económicos e culturais. É também m país que, sendo multinacional, é constituido por nações com profundos laços culturais entre elas, e aqui incluo a nação basca, que, apesar de se distinguir por uma maior diversidade, em em particular pelo facto de ter uma língua nacional de origem não latina, contribui através das suas características para o imaginário que dá forma uma identidade especificamente espanhola que une a esmagadora maioria do povo espanhol.

Ao democratizar-se, a Espanha tem sabido cortar com as políticas repressivas relativamente às nações não castelhanas que marcaram o regime franquista, bem como com o tradicional centralismo de Castela que, historicamente procurou, desde o tempo dos Reios Católicos, absorver o resto da península ibérica.

Por muito que aos nacionalistas bascos, catalães ou galegos possa parecer tentador usar o caso do Kosovo como precedente para a independência destas regiões, a coparação não pega, porque se trata de casos que nada têm em comum. Se um dia se fizer um referendo no Pais Basco, ou na Catalunha, e os seus cidadãos decidirem que não querem continuar a ser espanhois, estão no seu direito. Também no Canadá já se organizaram dois referendos para a independência do Quebec, e os seus cidadãos preferiram continuar a ser canadianos.

Tenho a certeza de que se olharmos para outras regiões, como a Escócia, a Córsega, etc, chegaremos a conclusões semelhantes. Retomo o argumento que me levou a congratular-me pela independência do Kosovo. A legitimidade é muito mais importante do que a ficção da soberania. A soberania não dá a nenhum governo o direito de tratar de forma ilegítima uma parte da população do seu território.

Se outros povos oprimidos se inspirarem no sucesso do caso do Kosovo, estarão no seu direito. Ser livre é uma coisa muito boa e é natural que todas as pessoas aspirem à liberdade. O que já nãp me parece tão natural, mas sim revelador de um relativismo moral repugnante é as pessoas quererem liberdade para si e para os ‘seus’ mas considerarem ilegítimo que ‘os outros’ nutram a mesma aspiração.

Fonte para os dados eleitorais: El País.

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